Posted by : Marsylla Salgado Tavares domingo, 6 de setembro de 2009

A Inovação sempre foi uma forma que as empresas buscaram para se diferenciar no mercado onde a competição é cada vez mais agressiva e difícil e, com os avanços das tecnologias, a globalização leva a mercados cada vez maiores.
Uma forma de buscar por inovações e, ao mesmo tempo estar mais perto dos seus clientes, bem como reduzir custo, um novo processo de gestão esta tornando-se mais e mais usado junto as empresas, conhecido como Sistema de Inovação aberta (Open Innovation) esse modelo, pode tornar as empresas mais competitivas, mais rapidamente.
A Idéia é buscar parcerias entre empresas (até mesmo concorrentes), instituições de pesquisa, universidades e a comunidade em geral. Esse conceito aparentemente antigo, tornou-se mais abrangente, passando a ser um modelo altamente colaborativo. O modelo pressupõe que o conhecimento ou essa colaboração, essa troca de idéias, pode estar em qualquer lugar da cadeia de valor da empresas (todos stakeholders e a comunidade em geral).
Cada vez mais as empresas devem abrir as suas portas para as idéias novas e inovadoras, normalmente essas idéias vem de fora, das mentes “mais limpas” e menos “míopes”.
A grande alteração adotada na gestão desse modelo é mudar o enfoque dos seus P&D, mudar totalmente de foco mesmo, passando a ser mais um grande centro de inovação aberta, onde buscam fora, por tecnologias promissoras para alavancar seus processos, identificam oportunidades em outras empresas, atuam cada vez mais como integradores. Vejam a tabela comparativa realizada pelo Instituto Inovação, comparando os dois modelos (modelo antigo/modelo fechado x Open Innovation).
 

Modelo Fechado

Open innovation

Equipe P&D

Pessoas talentosas trabalham pra gente.

Devemos trabalhar com pessoas ta-lentosas de den-tro e de fora da empresa.

Origem das tecnologias

Se nós originamos uma tecnologia,
vamos levar a tecnologia ao
mercado primeiro.

Não temos que originar a pesquisa para
obter lucro com ela.

Pioneirismo

Uma companhia que lança uma
inovação no mercado primeiro, irá
vencer.

Construir um melhor modelo de negócio é
mais importante do que simplesmente ser o
primeiro a entrar no mercado.

Quantidade/ Qualidade

Se criarmos a maioria e as melhores
idéias no mercado, vamos vencer.

Se fizemos um uso mais eficiente das idéias
internas
e externas, vamos vencer.

Propriedade Intelectual

Nós deveríamos controlar nossas
patentes, para que nossos
concorrentes não possam se
aproveitar de nossas idéias.

Nós deveríamos aproveitar do uso das
nossas patentes por terceiros e licenciar
tecnologias desenvolvidas por outro
s,
sempre que ela vier a contribuir para nosso
crescimento.

Ao se utilizar desse modelo as empresas valorizam muito mais a troca de informações e conhecimento, fortalecem as parcerias, passam cada vez mais a incorporar tecnologia de outros, passando a dividir os riscos e as vitorias.
O modelo da Open Innovation vai além do de apenas a criação de produtos, mas também atinge toda a organização, buscando fortalece o conceito e torna-lo como pratica do dia a dia na gestão completa da companhia.
Um exemplo foi a Braskem que em 2007, lançou o “Programa de Inovação Braskem”, onde passou a adotar o conceito de inovação aberta. Neste programa foi criado um banco de idéias aberto a sugestões de todos os cantos, de dentro e fora da empresa, que se utilizava de um software criado para auxiliar na avaliação das propostas, em um site aberto à pesquisadores, cientistas, professores, técnicos e funcionários de empresas petroquímicas de qualquer lugar do mundo. [1]
Outro exemplo interessante é a A Procter & Gambler, que atua de três formas diferentes para se conectar com essa idéias inovadoras, adotadas simultaneamente. (1) A empresa divulga em seu site de inovação aberta, como a Innocentive ou o NineSigma, informações sobre suas necessidades técnicas e científicas e aguarda respostas; (2) Posta pedidos de maneira anônima, oferecendo recompensas financeiras, ou ainda (3) utiliza sua própria rede de fornecedores.[1]. Utilizando-se de uma rede global de recursos e sites de troca de conhecimentos on-line, as receitas e o lucro da empresa aumentaram em 42% e 84% nos últimos cinco anos.[3].
Empresas mundialmente conhecidas como a IBM, Embraer, Natura, Boeing, Apple e até a NASA, tornaram a inovação aberta parte de sua estratégia de inovação, fortalecendo-se com as novidades do mercado de idéias criado pela globalização dos recursos tecnológicos e científicos.
Sites como o NineSigma que reúnem empresas, pesquisadores, cientistas, acadêmicos e inventores de todo o mundo. Para encontrar soluções que colaborem na concretização de suas idéias, empresas de diversos países acessam e apresentam demandas nesse sistema, para que outros as ajudem a alcançar as soluções que tornarão viáveis novos projetos. Ou seja, passa a ser um site onde empresas buscam por soluções enquanto que outras empresas vão apresentar suas idéias.
Com esse novo mercado se abrindo, já surge um novo profissional denominado do “Capitalista da Inovação” [2], onde sua atividade é buscar e avaliar conceitos e produtos na comunidade de inventores; desenvolver e aprimorar tais conceitos para que sua viabilidade de produção e potencial comercial possam ser avaliados; e
oferecer os resultados almejados pelas empresas para as quais presta seus serviços. Outros profissionais, também conhecidos como intermediários da inovação, atuam na busca de fontes e recursos externos para a inovação – são os chamados agentes de licenciamento, corretor de
patentes, olheiro de idéias e capitalistas de invenção, que identificam idéias ainda em estado bruto; enquanto que os capitalistas da inovação buscam idéias prontas para o mercado. Os capitalistas de risco e incubadoras de negócios já focam sua atuação em produtos prontos para lançamento.[2]

Alguns números mostram que cerca de 30% das maiores empresas mundiais estão experimentando o Open Innovation. Porem é um conceito ainda pouco dominado.
Segundo Chesbroug [5], o valor da abertura é enriquecido com cada usuário de duas maneiras: (1) Os usuários fornecem idéias e conteúdos para aperfeiçoar o produto. Por exemplo, a rede social MySpace baseia-se nos colaboradores individuais e o Linux conta com uma comunidade global de inovação.  (2) Quanto mais usuários, mais impulso há para o produto, de tal modo que as empresas que produzem bens complementares são atraídos para a massa de usuários. Essa dinâmica é denominada de “efeito rede”: usuários geram mais usuários. O valor da contribuição do Linux para a computação mundial (incluindo softwares e servidores) foi estimado em US$ 18 bilhões em 2006.
Um grande desafio para esse modelo é conseguir encontrar as peças certas e saber desenvolver competências de gestão de recursos humanos que consigam fomentar entre essa pessoas o processo colaborativo de desenvolvimento e compartilhamento do conhecimento.
Referências Bibliográficas:
[1] “Aqui nasceu o plástico verde” em Época Negócios. Agosto, 2007. p. 95.
[2] Ingrid Paola Stoeckicht. “O Modelo de Gestão de Inovação de Inovação Aberta” , em INEI, 2009.
[3] Morten Hansen e Julian Birkinshaw. “A Cadeia de valor da Inovação” in HBR, junho, 2007.
[4] Hamel, Gary & Green, Bill. O Futuro da Administração. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2008.
[5] Chesbrough, Henry & Appleyard, Melissa. “Rumo a estratégia aberta” in HSM, julho, 2009.

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