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- Além de amigos, MBA na rede social
Faculdade de Londres cria curso no Facebook e em apenas um mês já tem mais de 30 mil usuários ativos.
Mark Zuckerberg não tem um MBA. De fato, como sabem todos aqueles que já assistiram ao filme A Rede Social, Zuckerberg, o bilionário fundador e diretor executivo do Facebook, abandonou a universidade antes de se formar.
Mas, graças a um par de empreendedores britânicos, estudantes que desejam receber educação superior e também as credenciais para provar que são formados podem investir nos estudos ao mesmo tempo em que "cutucam" amigos, compartilham fotos, atualizam seu estado civil ou se ocupam das colheitas virtuais do FarmVille.
A ferramenta Global MBA, da Faculdade de Administração e Finanças de Londres, se diz "o primeiro MBA reconhecido internacionalmente a ser oferecido por meio de um aplicativo do Facebook". Apresentado no mês passado, o aplicativo tem mais de 30 mil usuários ativos, que acessam cursos de finanças corporativas, contabilidade, ética, marketing e planejamento estratégico.
Aaron Etingen, fundador e diretor executivo da faculdade, espera que 500 mil candidatos testem a ferramenta no prazo de um ano. Os alunos que gostarem do curso poderão assistir a aulas em vídeo, participar de sessões de estudos online e acompanhar seu progresso por meio de testes interativos - tudo de graça. "Só cobramos uma taxa daqueles que decidem fazer as provas", disse Valery Kisilevsky, diretor administrativo da faculdade.
Cada módulo deve ser adquirido separadamente, levando a um custo total de US$ 23 mil - mesmo preço cobrado pelos MBAs convencionais da faculdade, oferecidos no campus e à distância. Como estes programas, o diploma Global MBA do Facebook é certificado pela Universidade do País de Gales.
Fundada em 2003, a Faculdade de Administração e Finanças de Londres tem 15 mil alunos e instalações em Londres, Birmingham e Manchester, na Grã-Bretanha, e também em Toronto, no Canadá, oferecendo cursos de marketing, finanças e direito administrativo, bem como certificados de contabilidade.
"Sempre pedimos aos estudantes que nos contem a respeito daquilo que gostaram e do que não gostaram", disse Kisilevsky. "Mas os alunos de hoje não mandam e-mails nem expressam suas queixas por escrito ou visitam a sala do professor. Eles publicam seus comentários no Facebook e esperam que respondamos."
Foi em parte a sensação de que os estudantes já estavam usando o Facebook como meio primário de comunicação que levou a faculdade a desenvolver o aplicativo Global MBA. Participar dele requer do usuário o mesmo que a participação em outros aplicativos do Facebook - os candidatos precisam conceder acesso a seu nome, foto do perfil, identificação do Facebook e lista de amigos. A ideia é que os alunos possam acompanhar o tema de trabalho dos colegas e ajudar uns aos outros a solucionar problemas.
Na página inicial há informações sobre o programa e a obtenção de certificados e um menu imediato apresentando os cursos. Cada curso, por sua vez, é dividido em dez módulos, com aulas em vídeo, documentos, debates no Facebook e material de estudo de caso.
E como o Facebook se sente diante dessa novidade? "Não fazemos comentários a respeito do uso que as pessoas fazem da nossa plataforma", disse Sophie Silver, porta-voz do Facebook. Depois, para evitar que sua recusa em comentar fosse vista como falta de apoio ao projeto, acrescentou: "Mas se trata de uma novidade animadora que estamos acompanhando".
Fonte: D. D. Guttenplan, The New York Times - O Estado de S.Paulo
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