Posted by : Marsylla Salgado Tavares sexta-feira, 24 de junho de 2011

 

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A integração da Alcoa com a comunidade local desde o início do processo de instalação da mina de bauxita da empresa em Juruti (PA) é a chave do sucesso do Projeto Juruti Sustentável. Esta atitude foi indispensável para que a empresa adotasse a sustentabilidade como fator integrante de sua estratégia de negócios. A constatação é do gerente de Sustentabilidade da Alcoa, Fábio Abdala. “Essa postura foi extremamente estratégica para que a companhia conseguisse concluir e conquistar o direito de operar um dos maiores projetos de mineração realizados mundialmente pela Alcoa”, afirma.

Abdala explica que a mina de bauxita de Juruti foi inaugurada em 15 de setembro de 2009, depois da entrega, pelo governo do Pará, da licença de operação do empreendimento. A mineração de bauxita é planejada para que a atividade e o respeito ao meio ambiente sejam compatíveis. “A retirada da cobertura vegetal é feita cuidadosamente, de modo que a madeira extraída possa ter uso social, o solo orgânico seja recolocado após a mineração da bauxita e a floresta seja restaurada”.

A instalação de um projeto dessa magnitude, segundo Abdala, seja pelas questões ambientais, sociais ou pela difícil logística, é um grande desafio. “Nesse cenário, a comunicação pelo engajamento social tem sido fundamental”. Juruti passou por uma grande transformação e a empresa vem desenvolvendo um trabalho em parceria com as comunidades locais, tendo como premissa a disseminação de práticas sustentáveis.

Durante a fase de implementação, foram gerados até 9.500 empregos, mantendo uma média de 80% de funcionários paraenses, dos quais 30% moradores de Juruti. O Programa de Qualificação Profissional da mina de Juruti contribuiu para a formação dessa mão de obra, com a capacitação de mais de 2.500 pessoas para as necessidades do empreendimento e dos próprios mercados local e regional.

Abdala conta que foi realmente preciso usar técnicas para informar a comunidade o que estava acontecendo no município. “Isso ocorreu por meio de visitas às instalações, entrevistas, folhetos, programas de rádio, revista e campanhas”, destaca.

União entre o social, o público e o privado

Desenvolvido pela Alcoa em parceria com organizações civis e governamentais, com apoio da Fundação Getúlio Vargas, Fundo Brasileiro pela Biodiversidade (Funbio) e Instituto ISER, o Projeto Juruti Sustentável propõe um modelo de sustentabilidade para a região, que combine o respeito com o meio ambiente, responsabilidade social e sucesso econômico.

Iniciado ainda em 2006, quando as obras da mina também se iniciaram, com as devidas licenças ambientais, esta iniciativa, segundo Abdala, resultou das aspirações da própria comunidade de Juruti, após uma série de pesquisas e discussões com equipes multidisciplinares, incluindo pesquisa de campo e levantamento da realidade local e regional.

O Programa promove parcerias institucionais para obter benefícios mútuos para as partes social, público e privada, baseado em um tripé formado por:

  1. Conselho Juruti Sustentável: espaço permanente de diálogo e ação coletiva entre empresas, governo e comunidades, considerando uma agenda de longo prazo;
  2. Indicadores de Sustentabilidade: instrumentaliza o monitoramento do desenvolvimento de Juruti e alimenta o Conselho com informações qualificadas;
  3. Fundo Juruti Sustentável: financia ações de desenvolvimento a partir dos Iindicadores priorizados pelo Conselho, e mobiliza recursos para gerar patrimônio financeiro para as presentes e futuras gerações.

Abdala acrescenta que o engajamento dos talentos locais tem gerado grandes oportunidades de trabalho, renda e desenvolvimento pessoal e profissional para os moradores de Juruti e região. Hoje, do total de 2.178 profissionais empregados direta e indiretamente na mina, 81% são paraenses.

O executivo destaca também as contribuições fiscais, taxas e impostos gerados. Conforme a Constituição Federal, a exploração mineral é de interesse nacional e todo empreendimento de mineração é importante para o País. Assim, diferentemente de outras atividades econômicas, toda atividade mineral recolhe impostos bem conhecidos como ISS, ICMS e INSS, e contribui com outras compensações financeiras essenciais para assegurar pesquisa e mineração sustentáveis. “São exigências legais estabelecidas com o intuito de proteger as pessoas e o meio ambiente ao redor de reservas minerais e que cumprimos rigorosamente”, afirma.

Reconhecimento e parceria internacionais

A instalação de um grande projeto de mineração na Amazônia, acompanhado de forma intensa pela sociedade civil, tem despertado o interesse da comunidade internacional. Abdala destaca como exemplo disso a seleção de dois integrantes do Conselho Juruti Sustentável (Conjus), em 2009, para o encontro  “Direitos, Riscos e Responsabilidade”, em Joanesburgo, na África do Sul. Cerca de 30 representantes de instituições de 10 países, entre eles Inglaterra, Nigéria, Estados Unidos e Brasil, reuniram-se para avaliar experiências de relacionamento entre comunidades e empresas mineradoras.

“Há também um processo intenso de visitas de outras empresas do setor e da comunidade acadêmica interessada em conhecer, estudar, disseminar e reaplicar o modelo Juruti Sustentável em outras localidades”, afirma. Além disso, a ONG International Conservation é parceira no programa de conservação do Corredor Ecológico Tapajós-Abacaxis e já investiu US$ 500 mil nos último 5 anos.

Próximos passos

De acordo com Abdala, a Alcoa continuará investindo na comunidade local, como parte dos programas elaborados. “O diálogo e transparência serão permanentes. E há um esforço combinado com organizações civis, comunidades e poderes públicos para trazer ou adensar políticas públicas de desenvolvimento do território”, ressalta.

O gerente de sustentabilidade acrescenta que a mina de Juruti é um importante capítulo na história da empresa. “Trata-se de um empreendimento único, modelo, totalmente integrado à comunidade, sem muros nem enclaves, mudando o paradigma no segmento da mineração”, diz.

Abala finaliza explicando que a mina de bauxita de Juruti se insere no plano de longo prazo da Alcoa no Brasil. “Esse plano inclui a maior expansão de uma refinaria de alumina – produto intermediário entre a bauxita e o alumínio – já realizada no mundo, em São Luís (MA); a implantação responsável de duas hidrelétricas – Estreito e Serra do Facão -, fontes de energia naturais e renováveis e, ainda, e na modernização da fábrica em Poços de Caldas (MG)”, conclui.

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